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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Morre Eni de Mesquita Samara em 29 de Agosto de 2011

Vi hoje a publicação no site da Revista de História, sobre a morte, na madrugada de 29 de Agosto de 2011, de Eni de Mesquita Samara, historiadora feminista e professora da Universidade de São Paulo. Sem dúvida uma grande perda. Abaixo seguem o link e a notícia sobre sua morte, no site da Revista. Meus sinceros sentimentos à família, aos companheiros de trabalho e às feministas que compartilham essa perda.



Morre historiadora Eni de Mesquita Samara

Professora da USP foi a entrevistada da Revista de História da edição de janeiro deste ano; releia


29/8/2011

Professora Eni, na ocasião da entrevista que concedeu à Revista de História
Professora Eni, na ocasião da entrevista que concedeu à Revista de História

Faleceu nesta madrugada a historiadora Eni de Mesquita Samara, professora de História do Brasil Colonial da USP, diretora do Centro de Estudos de Demografia Histórica da América Latina (Cedhal), e ex-presidente da Associação Nacional de História (Anpuh) e do Museu Paulista da USP.  Pesquisadora da História das Mulheres e da Família, Eni tinha vários títulos sobre o tema, tais como "A família brasileira" (1983); "As mulheres, o poder e a família" (1989); "As idéias e os números do gênero" (1997), "Família e vida doméstica no Brasil" (1999); "Família, mulheres e povoamento" (2003).
A Anpuh divulgou nota, assinada por Benito Bisso Schmidt, presidente da associação, afirmando "profundo pesar" e reconhecendo "sua importante trajetória intelectual e associativa". A USP suspendeu as aulas desta segunda-feira (29). Tania Bessone, da Uerj, afirmou que vai lembrar "sempre da alegria, dinamismo e seriedade que usufrui no seu convívio".
Em sua entrevista para a Revista de História da Biblioteca Nacional, publicada em janeiro deste ano, falou sobre os inventários do brigadeiro Manoel Rodrigues Jordão e de sua esposa, Gertrudes Galvão de Oliveira Lacerda, que havia encontrado, então, recentemente. Os dois foram os protagonistas de sua tese de doutorado “A família na sociedade paulista do século XIX”, publicada ainda na década de 1970.
Leia novamente sua entrevista para a Revista de História, em que ela aborda temas como os formatos das famílias do século XIX além do sistema patriarcal; como o casamento era raro no período, as diferenças entre as colonizações espanhola e portuguesa na América, e o feminismo: “Ser feminista é fazer a história das mulheres comprometida com as questões voltadas para as suas políticas. Então, acho que uma professora, que está na universidade, que trabalha com um tema como o da história das mulheres e das famílias, não pode deixar de ser feminista. Ela tem que estar, na verdade, compromissada com as políticas voltadas para as mulheres, com as questões relativas às mulheres. Isso é ser feminista.”
O velório será na Funeral Home, das 17h às 22h desta segunda, localizada à rua São Carlos do Pinhal 376, Bela Vista, São Paulo - SP. A cremação do corpo na terça-feira (30), no Cemitério e Crematório Horto da Paz, à Rua Horto da Paz 191, Potuverá, Itapecerica da Serra - SP, em horário a ser definido pela família.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

O reitor da USP e a questão da segurança no campus

Gostaria de comentar brevemente uma entrevista que o Reitor da Universidade de São Paulo João Grandino Rosas deu para a Folha de São Paulo sobre o assassinato de um aluno de economia dentro do campus nesta semana. Comento em linhas gerais e muito rapidamente, e também esperando e torcendo para que esta discussão se prolongue, já que estudei e vivi neste campus por cinco anos e meio, e sei que a Reitoria nunca se animou em discutir questões e medidas de segurança que extrapolassem a recomendação do aumento da quantidade de policiais no campus. Para os últimos reitores dessa universidade, segurança se resume a presença policial, e nada é pensado ou feito a favor do aumento da "urbanidade" no campus, ou para a melhoria da relação entre este espaço, que é público, e seus frequentadores, seja alunos, funcionarios, visitantes ou membros das comunidades vizinhas. Além disso, existe por parte da gestão do campus, uma resistência jã bastante conhecida em chamar a comunidade a discutir a questão da segurança. Quando isso acontece, obviamente não participam delas as comunidades frequentadoras do campus - às quais se somam por exemplo grupos esportivos - e menos ainda as comunidades vizinhas ao campus, que são vistas como "intrusas" e indesejadas, embora também sustentem a bolha USP com seus impostos. 

Para quem não leu, o link abaixo...

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/918353-apos-assassinato-reitor-vai-cobrar-mais-policia-na-usp.shtml

Note-se que a única idéia revolucionária que teve o Sr João Grandino Rodas foi colocar todas as suas expectativas de aumento da segurança do campus nas mãos da presença da polícia. 

Como Reitor desta universidade e trabalhando no maior campus do país, ele nao formula nenhuma outra alternativa que nao seja essa, nao toca no assunto das inúeras e caríssimas cameras de segurança, que até agora só serviram para gerar constrangimentos para os próprios alunos, não fala nada da falta de preparação da guarda do campos, e menos dos assédios e intimidações dela sobre os alunos e principalemnte alunas, nao fala nada da ausencia de transporte público aos fins de semana, e nao menciona o fato de que esse controle de portarias que realizam tem como único resultado esvaziar o campus a noite e aos fins de semana, barrando   visitantes e tornando o campus um lugar ermo e esvaziado, onde tudo pode sim acontecer porque todos os espaços foram tornados lugares de passagem e transito, e impedindo uma relação de convidência da populacao com esses espaços. 

Também não comenta o fato, um pouco contraditório da idéia de que o campus é inseguro, de que este é um local de preferencia para atletas e esportistas da classe média e alta que povoam determinadas ruas do campus em determinados horarios aos sábados e domingos, levados por suas agências e seus personal trainers. Para esse grupo de pessoas este é sim um lugar seguro em relação a outros parques da cidade de São Paulo, já que podem estacionar seus carros sem pagar estacionamento, correr e praticar esportes sem se preocupar com o trânsito de pedestres ou de carros, e lá estão livres da massa de "cidadãos diferenciados" com os quais deveriam dividir espaço caso fossem praticar esporte em outro lugar público. Já que a entrada ao campus da USP é controlada nos fins de semana, só sendo permitida a alunos e funcionarios com identificação e justificativa, ou para esses carros com logomarcas de academias de luxo, lá se pratica esporte quase sem ter que lembrar que se está em São Paulo, salvo quando algum garotinho das comunidades vizinhas que conseguiu "penetrar" o feudo passa pedindo "tio, me paga um lanche?". 

O que ninguém diz também é que a policia já está sim no campus, diariamente, fazendo sim blitz, já faz anos, e que esse campus é um do lugares mais bem vigiados de São Paulo, se formos considerar a relação metro quadrado, densidade demográfica e qtde de policiais e guardas. 

Parece que chegou a hora de expandir os horizontes e pensar em novos parâmetros de segurança a longo prazo, de construir um outro tipo de relaçao entre populacao e campus, que nao seja mediada por cameras e vigilancia policial, e que nao dependa da ostentação da violencia armada para se sustentar. Chegou a hora de pensar o campus como um espaço integrado e dependente a uma cidade, o que significa que, transforma-lo numa bolha big brother com circuitos altamente iluminados e vigiados em todas as esquinas nao vai garantir seguranca e qualidade de vida para frequentadores do campus, já que inibe ao invés de permitir a apropriaçao desses espaços pelos cidadãos que o sustentam e para os quais, em teoria, esses espaços também devem existir e servir.